Quantificar. Mensurar. Traduzir para a linguagem matemática. Tornar mais inteligível. Através do Blog Educação em Números queremos entender o que acontece no universo educacional brasileiro tendo como base os trabalhos de mapeamento e coleta de dados das redes de ensino brasileiras realizadas pelo MEC e tantas outras instituições governamentais ou não atreladas ao poder público.
21/07/2009
Escolas sem luz: Trevas da Educação Brasileira
"O governo federal anunciou em maio deste ano o cumprimento da meta do programa Luz para Todos. Mas a proposta de levar energia elétrica para todas as comunidades do País deixou para trás pelo menos 17.795 escolas - na maioria, rurais. São cerca de 500 mil alunos, especialmente de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, que estudam em escolas onde não há geladeira nem tevê e, em um dia sem sol, os cadernos e livros ficam difíceis de decifrar." (Fonte: Estadão)
O montante de alunos mencionado na reportagem, ou seja, cerca de 500 mil alunos, representa aproximadamente 1% do contingente de estudantes que existe em nosso país. Pode parecer pouco se olhamos apenas para o percentual, mas quando observamos os números de forma objetiva, percebemos o quanto é representativo.
Não ter luz na escola significa não ter aulas em dias nublados ou de chuva pelo simples fato de que se torna impossível ver com precisão o caderno, suas linhas, o que se escreve...
Não ter eletricidade na escola representa exclusão social pois significa que estes estudantes não tem acesso a vídeos, tvs, computadores e outros equipamentos que dão suporte a educação...
Não ter "força" nas escolas significa educação truncada, travada pela falta de aulas em dias em que é impossível trabalhar e, certamente, desqualificação dos alunos que estão em formação...
Como é possível, em pleno século XXI, que isto ainda persista no Brasil?
Postado por: João Luis de Almeida Machado.
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19/02/2009
Quantos livros você lê anualmente?
As estatisticas nacionais quanto a leitura indicam que os brasileiros lêem muito pouco. Em média, apenas 4 brasileiros em cada 10 tem algum contato com livros em nosso país, os outros 6 (para ser mais exato, 61%), tem muito pouco ou nenhum contato com livros. E mesmo os demais 39% não praticam a leitura com alguma freqüência...
Na verdade o índice de leitores regulares de nosso país é de, aproximadamente, 16% (percentual relativo a quantidade de pessoas no Brasil que possuem o equivalente a 73% de todos os livros aqui existentes e que estão em mãos de particulares).
Há no país apenas 1.500 livrarias e em cerca de 1.300 cidades do Brasil não existem bibliotecas públicas. Só a título de comparação, somente a aquisição de livros para bibliotecas públicas nos Estados Unidos supera a compra total desse artigo por brasileiros e pelas instituições aqui existentes. (Os dados aqui apresentados constam de uma pesquisa da Câmara Brasileira do Livro, realizada em 2001)
O livro é, para os brasileiros, um produto muito caro e, em virtude disso, acabou se tornando um luxo pelo qual as pessoas, especialmente as mais humildes (de menor poder aquisitivo), não se dispõe a adquirir. Impressiona também saber que os dados relativos a leitura de jornais e revistas do Brasil, quando comparados com os de países vizinhos onde a escolarização e a valorização da cultura são maiores, como é o caso da Argentina, são menores...
As políticas públicas nacionais não consideram investimentos em livros (a não ser em impressos didáticos) como merecedores de cotas maiores dos orçamentos municipais, estaduais ou federais. Nesse sentido não há registros expressivos de melhoria dos acervos das bibliotecas públicas e nem de projetos de leitura de grande envergadura. O que vemos é a luta de alguns apaixonados pelos livros, como professores, jornalistas, profissionais liberais ou membros das alas mais cultas das cidades, manifestando-se em favor da leitura e da melhoria das bibliotecas de seus municípios (quando elas existem), mas mesmo essa mobilização é escassa e pouco produtiva...
Além dos necessários gastos com tecnologias de ponta e projetos em informática educacional, urge que os governos e a sociedade civil se mobilizem em favor dos livros, senão seremos eternamente, uma nação de pessoas incultas em sua maioria e estaremos fadados a continuar sendo apenas "burros de carga" que fazem o trabalho pesado e alimentam o desenvolvimento alheio...
Postado por: João Luis de Almeida Machado.
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17/12/2008
O Analfabetismo no Brasil
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"Se um em cada dez brasileiros com mais de 15 anos de idade ainda não sabe ler nem escrever, é na zona rural que residem quase 65% desse público. Atualmente, o índice de analfabetismo urbano é de 7,6%, enquanto 23,3% das pessoas da zona rural não têm instrução. Em 1997, a taxa era de 10,7% na cidade e de 32% no campo. Os recorrentes problemas de falta de professores, de transporte e de material didático adequado, além da infra-estrutura precária, limitam o acesso dos jovens do campo à educação e ajudam a aumentar o índice dos analfabetos funcionais, aqueles que têm menos de quatro anos de estudos. São cerca de 30 milhões de pessoas no país, o que representa 21,7% da população.A taxa para o setor rural, 42,9%, é mais do que o dobro da mesma apurada para o setor urbano, 17,8%. O Nordeste se sobressai com o maior índice, 33,5% (53,2% no meio rural), resultado ainda hoje maior do que as taxas das regiões Sul e Sudeste, em 1997, com cerca de 24%." [Fonte: UOL Educação]
Os números não mentem, costumam dizer para mim. Cresci vendo na ciência as possibilidades de compreensão do mundo e na escola o canal que nos permitiria o acesso a esse conhecimento, de bases científicas. Ao me tornar profissional elegi a educação como área dos desafios a serem enfrentados com valentia e persistência. Queria que outras pessoas pudessem perceber o valor, a importância, as possibilidades e os ganhos proporcionados a quem aprende a ler o mundo [literalmente].
Quando me deparo com os números dessas estatísticas penso em insucesso, em fracasso mesmo. Afinal, entra governo, sai governo - melhoram indicadores econômicos, constroem-se estradas, abrem-se novas fábricas, informatiza-se a sociedade e os dados que indicam a perseverança de uma das maiores chagas que podem abalar um país permanecem... Os indicadores do analfabetismo no país continuam elevados e nos colocam atrás de nações como a Bolívia, Suriname ou o Peru... Inaceitável, não acham?
Se, por um lado penso que ainda estamos perdendo o jogo, creio que temos que ter energia e disposição suficiente para virar a partida e, medidas como aquelas que permitem avaliar o sistema educacional e o evidente engajamento de variados setores da sociedade na labuta por uma educação de qualidade me fazem crer que ainda há esperança, existem luzes no fim do tunel...
Espero que isso ocorra muito brevemente. É mais do que um sonho, verdadeiramente constitui uma batalha de toda uma vida [que sei ser partilhada por muitas e muitas pessoas como eu]...
Postado por: João Luis de Almeida Machado.
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17/12/2008
A educação paulista em números
Para entender e analisar melhor a questão da educação no estado de São Paulo, o estado mais rico da união, destacamos abaixo alguns de seus dados mais relevantes quanto às redes de ensino estaduais, municipais e privadas ativas em seu território (Fonte: MEC/Inep).
- A taxa de analfabetismo para a população de 10 a 15 anos é de 1,75%; para maiores de 15 anos é de 6,64%.
- Há 5.274 escolas de Ensino Fundamental e 3.598 de Ensino Médio no estado (Dados de 2006).
- 96,9% da população do estado completou o Ensino Fundamental e 65,9% concluíram o Ensino Médio (Dados de 2005).
- O Ideb de São Paulo para as primeiras séries do Ensino Fundamental é 4,5 (o nacional é 3,8); o Ideb paulista para as séries finais do Ensino Fundamental é 3,8 (o nacional é 3,5); o ideb do estado para o Ensino Médio é 3,3 (o nacional é 3,4).
- O Ensino Fundamental paulista em sua rede estadual possui, em média, 34 alunos por sala de aula, com carga horária base de 5,2 horas/dia.
- O Ensino Médio paulista em sua rede estadual possui em média 37 alunos por sala de aula; essas turmas têm aproximadamente 5,2 horas de aula por dia. Os cursos noturnos possuem 38 alunos por sala (em média) e 4 horas de aula por dia.
Postado por: João Luis de Almeida Machado.
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17/12/2008
As tecnologias no Brasil
- "A cada três segundos, um novo computador é vendido no Brasil. Enquanto o número de máquinas aumenta, difunde-se o uso da banda larga, que cresceu 50% em somente um ano no país. Desde junho, mais de 10 milhões de brasileiros estão ligados à internet por meio de conexões rápidas. Três anos atrás, as previsões indicavam que tal patamar seria atingido apenas em 2010." [Progresso nas Nuvens, artigo publicado pela Veja, na Edição Especial Tecnologia, Setembro de 2008]
- "O Brasil tornou-se o quinto maior mercado de PCs do mundo, perdendo em vendas apenas para Estados Unidos, China, Japão e Inglaterra." [Em apenas 3 segundos, artigo publicado pela Veja, na Edição Especial Tecnologia, Setembro de 2008]
Números expressivos que indicam crescimento acima do esperado e acentuada alta na quantidade de usuários de computadores e internet no Brasil. A realidade é essa, todos os segmentos estão se plugando a rede mundial de computadores e, em cada lar brasileiro, o computador já ocupa um lugar de destaque ao lado da TV, do aparelho de som, da geladeira ou do fogão. Passou de luxo de poucos para um produto de consumo em massa. Como estamos e vamos utilizar esses recursos é a questão que fica...
Postado por: João Luis de Almeida Machado.
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17/12/2008
O Brasil nas últimas posições no Ensino Superior
Enquanto no Brasil um percentual bastante alto de adolescentes não completa o ensino médio, na Europa aproximadamente 70% dos estudantes dessa faixa etária (na média de todos os países) freqüenta e fecha esse ciclo educacional. Nos Estados Unidos o percentual é superior, atingindo 80%, enquanto na Coréia do Sul já chegou aos 90%. O objetivo real de todos é atingir os 100% o mais rapidamente possível, afinal de contas população educada em níveis mais elevados é garantia de mais civilidade, politização, preparação para o mercado de trabalho, produtividade...
Esses dados, por si só já são bastante preocupantes, tendo em vista a inércia ou os passos de tartaruga da educação nacional no sentido de estimular e levar mais alunos ao ensino médio. O pior, no entanto, é que não é só em direção a essa fase intermediária de estudos que estão indo esses países (que não por acaso se desenvolveram mais do que no Brasil)... Há fortes investimentos para que também se eleve (o máximo possível) a quantidade de egressos nas universidades, com formação de alto nível, bastante qualificada...
Essa corrida em direção ao canudo universitário cresceu em especial ao longo do último quarto de século. Só para entendermos melhor, vamos acompanhar o crescimento em alguns países:
- A China tem 22% de seus estudantes em idade universitária em cursos de graduação (esse percentual era de 6% em 1999, portanto há apenas 8-9 anos atrás).
- A Venezuela por sua vez tem 41% de alunos em idade universitária fazendo a graduação.
- No Uruguai esse índice sobe para 42%, no Panamá para 44% e no Líbano para 46%.
- O Chile já chegou aos 48%, graças a um grandioso esforço em prol da educação de seus governos.
- Nosso país, o Brasil, tem apenas 24% de sua população em idade universitária matriculada na graduação (em cursos que, diga-se de passagem, na maioria dos casos, deixam muito a desejar...).
Outros números para entendermos como estamos para trás...
- Portugal aumentou em 255% a sua taxa de matrículas em 20 anos...
- A Turquia registrou crescimento de 320% nesse mesmo quesito.
- A Coréia do Sul extrapolou e obteve fantásticos 353% de incremento...
- O Brasil? Apenas 36% de crescimento... Postado por: João Luis de Almeida Machado.
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